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Você sabe o que é payback e como funciona na prática?

Quem está começando a empreender ou tem uma nova estratégia de crescimento sabe que uma boa ideia é apenas o início dessa jornada. Com certeza você acredita nessa ideia e se prepara para o desafio, mas como calcular quando e como você vai ter retorno no lado financeiro desse plano de negócio? Para isso, é preciso ficar de olho em um indicador de empreendedorismo chamado payback.

Neste artigo, vamos explicar o que é payback, o que ele significa, como calculá-lo e o que fazer na rotina do negócio para não perder esse objetivo de vista. Acompanhe.

O que é payback?

Um fato do qual empreendedores geralmente não conseguem se desviar é a necessidade de recursos financeiros para colocar um negócio no mercado — principalmente a visão de certas despesas como investimento inicial, de modo a tornar a operação viável e solidificar sua ideia em um modelo funcional.

Podemos até dar alguns exemplos: se uma pessoa está pronta para empreender em um e-commerce, precisa investir em estoque, escritório e sistema de gestão. Se pretende fazer parte de um food service, tem que escolher bons ingredientes, comprar ferramentas de trabalho etc. Ou seja, é a realidade de quem empreende acreditar na sua ideia o suficiente para ter certeza de que esse valor retornará em um futuro próximo — permitindo que o negócio caminhe com as próprias pernas e dê lucro.

O nome do retorno financeiro do investimento inicial feito é payback (termo em inglês para “retorno”). Como é natural que os novos donos de empresa usem recursos do próprio bolso ou de empréstimos pessoais para realizar suas visões, essa janela de tempo se torna fundamental para planejamento e tomadas de decisão durante esse período tão crítico para o sucesso.

Afinal, o despreparo contábil e a falta de um plano mais sólido são fatores que contribuem para a estatística mais importante para quem começa um negócio: 1 a cada 5 empresas fecha ainda no primeiro ano de funcionamento. Saber quanto investir e até quando você consegue sustentar as contas esperando pelo retorno faz toda a diferença nesse momento. Ter uma visão clara do seu payback dá tranquilidade para pôr uma ideia inovadora em prática.


Como funciona o payback?

Ao contrário do que pode parecer, o payback não é um indicador diretamente financeiro, e sim de tempo. O cálculo visa encontrar a janela de tempo, em meses ou anos, em que os ganhos da empresa serão suficientes para cobrir seus gastos iniciais. É importante não confundir o payback com outro indicador fundamental: o breakeven, que aponta o momento em que uma empresa consegue faturar o bastante para cobrir custos recorrentes, fixos e variáveis — sendo, portanto, muito mais relacionado ao fluxo de caixa.

O retorno do investimento inicial é um objetivo pontual de começo de jornada, focado muito mais na sua capacidade de acreditar na empresa e se manter até que ele seja alcançado. Nesse sentido, o plano de negócio é o momento ideal para avaliar o payback e definir o quanto é possível investir para começar da maneira mais impactante no mercado. Esse indicador, portanto, é uma peça-chave em diversas outras decisões, como janelas de lançamento, tamanho inicial de operação e escopo de estratégia.

Como calcular o payback?

O cálculo do payback, em si, não é nem um pouco complicado. Porém, o maior desafio dessa conta é ter uma visão detalhada e confiável de gastos iniciais e um bom registro de fluxo de caixa nos meses seguintes. Entraremos em um pouco mais de detalhes ao longo do texto, mas pense que é preciso fazer um levantamento completo para alcançar um valor real de investimento inicial. É a partir desse número que o cálculo será feito.

A segunda etapa exige um bom conhecimento do seu fluxo de caixa. Essa parte costuma ser mais fácil para empresas consolidadas, que estão se expandindo ou investindo em infraestrutura e ofertas aos clientes. Nesse caso, é possível utilizar o histórico do fluxo como parâmetro.

Já para quem está avaliando a viabilidade de abrir um negócio, é preciso uma projeção confiável de fluxo de caixa para os primeiros meses da empresa. À medida que o tempo passa, esses valores podem até ser revisados, mas é fundamental ter uma previsão realista logo de saída, para não perder seu payback de vista. O objetivo é determinar o fluxo de caixa médio mensal do negócio. Com esse valor definido, basta dividir o total de investimento pela média de caixa mensal para se ter o período em meses até que você tenha recebido de volta o valor inicial.

Podemos usar um exemplo: imagine que você queira abrir uma empresa com 50 mil reais e projete que terá um fluxo de 2 mil reais nos primeiros meses de funcionamento. Assim, seu payback é calculado como 50.000 ÷ 2.000 = 25. Portanto, o seu retorno estará completo em 25 meses.

Qual a diferença entre payback simples e descontado?

O cálculo acima, chamado de payback simples, é confiável o suficiente para servir de parâmetro na decisão mais importante para um empreendedor: se vale a pena dar o primeiro passo nessa jornada e abrir um negócio. No entanto, como você pôde notar, ele não leva em conta uma série de variáveis que fazem diferença no retorno do investimento. É o caso dos custos de operação, variações de margem de lucro, taxas e juros, por exemplo.

Para quem busca ainda mais precisão nesse indicador, existe o payback descontado. Como o próprio nome sugere, ele é feito realizando o mesmo cálculo, porém, descontando do fluxo de caixa médio os gastos, de modo a apresentar um valor mais próximo ao lucro real da empresa.

Como, no início de um negócio, esses custos de operação e administrativos são menos palpáveis, o payback descontado é mais indicado para empreendedores consolidados, que pensam em investir agora para expandir sua operação ou atualizar equipamentos e ferramentas de trabalho. Seria o caso, por exemplo, de uma fábrica que pensa em investir em uma máquina mais eficiente, que pode fazer de sua própria economia de energia e aumento de produção um abatimento mensal para esse retorno.

Por que as empresas devem se preocupar com o payback?

Seja qual for o caso em que você esteja calculando o payback, é sempre importante reforçar como esse tipo de visão de futuro faz diferença para empreendedores.

Quem aposta em uma ideia e em um negócio não quer se acomodar em um platô. A ideia é estar sempre buscando formas de inovar e crescer dentro do mercado. Mirar no seu payback é a maneira perfeita de manter esse dinamismo, principalmente porque receber o retorno do seu investimento inicial significa uma nova oportunidade de reinvestir.

Quem enxerga esses períodos como degraus de expansão consegue manter uma empresa crescendo de maneira sustentável, de objetivo em objetivo.

Você se lembra do dado que citamos lá em cima, de que uma em cada cinco empresas não sobrevivem ao primeiro ano de funcionamento? Isso significa que o primeiro grande desafio dessa jornada é consolidar uma marca e garantir que tudo que foi investido, em dinheiro, tempo e esforço, valha a pena.

Após esse primeiro payback alcançado, o negócio já tem suas próprias pernas firmes para novos passos. Em muitos casos, o verdadeiro objetivo de mercado só é possível após um primeiro momento de estabilização. Quanto mais bem calculado for o seu payback, mais confiança existe em quando esse ponto será alcançado. A partir daí, cada nova estratégia ou investimento é mais uma chance de crescer. Percebe como esse é um indicador simples de calcular, mas que precisa ser levado a sério? Afinal, ele significa muito na sua busca por novos objetivos.

Portanto, é possível dizer que a necessidade de calcular o payback surge em momentos-chave, de planejamento e de tomada de decisões importantes para o seu futuro. Mesmo que você recorra ao modelo simples, usando projeções de mercado e acreditando no seu potencial, o foco no seu trabalho contábil é fundamental para que cada estratégia dê certo.

Quais as regras do payback?

Como você pôde ver, as regras do cálculo são simples. É no reconhecimento de variáveis e na sua capacidade de previsibilidade de fluxo de caixa que está o segredo para um payback bem definido.E como é possível alcançar esse nível de confiança no seu levantamento? Vamos terminar nossa conversa dando algumas sugestões práticas que podem facilitar muito a sua relação com o tempo de retorno de investimentos. Acompanhe.

Não pular etapas

É bem comum ver ideias incríveis de negócio que não decolam, ao mesmo tempo que ideias menos inovadoras ou até mal concebidas conseguem se consolidar e crescer. Isso acontece porque, por mais haja demanda por um produto ou serviço, o que vai definir seu sucesso é o planejamento e, principalmente, o controle contábil. Então, é sempre importante relembrar quem está empreendendo de que não adianta ir para a ação sem um bom plano. Essas podem ser etapas menos empolgantes do processo, mas fazem toda a diferença.

No contexto de cálculo de payback, não pular etapas significa reunir o máximo de informações possível: o valor total do investimento, os custos com aquisição de capital, custos de operação, projeções de faturamento, margens de lucro etc. Esse levantamento dará uma ideia de se o negócio é mesmo viável pelo período de retorno antes que você tome a decisão final sobre ir em frente ou não com esse plano. É uma segurança a mais, uma tranquilidade para o seu trabalho no futuro e uma garantia de previsibilidade.

Fazer projeções realistas

Aqui, temos outra característica comum de quem empreende: às vezes, a vontade de dar certo é tão grande que você pode acabar se empolgando um pouco demais nos resultados iniciais de um negócio ou um investimento.

O equilíbrio perfeito para essas pessoas é ser arrojado nas estratégias e conservador nas finanças. Você pode superar todas as expectativas e bater o payback com meses de antecedência, mas a melhor abordagem é sempre trabalhar com espaço para ajustes no meio do caminho.

Estamos falando, principalmente, do fluxo de caixa. É preciso fazer projeções que levem em conta o passado (se for o caso), com uma visão completa sobre o que se fatura e o que se gasta no presente e fazendo projeções realistas sobre o futuro. Afinal, se o fluxo está equilibrado e a empresa está dando lucro, você não precisa alcançar o payback a todo custo o quanto antes. Trabalhe com um período factível e use esse tempo para planejar seus próximos passos.


Contar com um sistema contábil de confiança

Aqui, temos outro ponto fundamental para calcular e acompanhar o seu payback. Como você fará projeções confiáveis de fluxo de caixa médio se o seu controle financeiro não é otimizado e integrado?

Usar um sistema empresarial para controle de finanças facilita não só a sua visão de gastos, ganhos e encargos, como pode oferecer o tipo de relatórios e análises de que você precisa para fazer um bom cálculo de payback. É uma garantia de que suas projeções estão dentro da realidade e uma simplificação das variáveis envolvidas.

Acompanhar o indicador periodicamente

Se você calculou que seu payback será em um tempo mais longo, como dois ou três anos, é possível que muita coisa mude na realidade do negócio nesse tempo. Portanto, outra forma de estabelecer seu retorno é somar mês a mês o resultado do fluxo de caixa e alinhar esse monitoramento à sua projeção. Muitas vezes, você vai perceber que as duas linhas não seguem exatamente juntas, e será necessário fazer ajustes de estratégia ao longo desse período.

Em alguns casos, a empresa pode estar com um desempenho melhor do que o previsto. Assim, é possível encurtar o indicador ou até usar o lucro excedente como base para novos investimentos em paralelo.

Em outros momentos, pode acontecer o contrário, e a realidade não alcançar o desempenho da sua projeção de retorno. Isso não é, de forma alguma, razão para pânico. Essa situação pode ser ideal para adaptar algumas variáveis: cortar custos de operação, aumentar a captação de leads, reduzir uso de recursos ou, até mesmo, estender o período do payback — caso você identifique um equilíbrio financeiro suficiente.


Confiar no seu plano

Se você conta com um bom plano de negócio, fez um levantamento completo e tem seu payback calculado e monitorado, não há por que duvidar do seu retorno durante o período determinado. Por isso, nossa última dica tem sempre a ver com a veia de persistência dos empreendedores. Confie em você e em todo o seu trabalho.

Mesmo que as contas não estejam batendo de cara com o que você projetou, isso faz parte da caminhada. Um payback bem calculado e um bom controle contábil são a base perfeita para sua ideia de negócio se estabelecer.

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